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O diabetes mellitus (DM) é uma doença crônica que ocorre quando o pâncreas não produz insulina em quantidades suficientes ou quando o nosso organismo não consegue aproveitar a insulina produzida. A presença de DM se associa à redução da qualidade e da expectativa de vida.


O diabetes tipo 2 é o mais comum, acometendo cerca de 90% dos casos. Os demais são representados principalmente pelo diabetes tipo 1 e pelo DM gestacional.

O diagnóstico de diabetes se baseia na glicemia de jejum, na dosagem da hemoglobina glicada (HbA1c) e no teste de tolerância oral à glicose (TTOG). Os valores diagnósticos para a população geral encontram-se na tabela abaixo.

Para as gestantes, é realizado o TTOG entre a 24a e a 28a semanas de gravidez e os valores de glicemia são: em jejum < 92 mg/dL, 60 min < 180 mg/dL e 120 min após a sobrecarga de glicose < 153 mg/dL. Vale lembrar que apenas uma das três dosagens alteradas é suficiente para o diagnóstico de DM gestacional.


Tabela. Valores para o diagnóstico de diabetes na população geral.


Normal Pré-diabetes Diabetes
Glicemia de jejum < 100 mg/dL 100-125 mg/dL >= 126 mg/dL
Glicemia 120 min no TTOG < 140 mg/dL 140-200 mg/dL >= 200 mg/dL
Hemoglobina glicada (HbA1c) < 5,7% 5,7-6,4% >= 6,5%

O tratamento da pessoa com diabetes visa prevenir o surgimento das complicações relacionadas à doença, melhorar a qualidade e a expectativa de vida. Dentre essas complicações, merecem destaque:


  • • Retinopatia do diabetes;
  • • Doença renal do diabetes (DRD);
  • • Neuropatia do diabetes;
  • • Doença arterial periférica;
  • • Infarto do miocárdio (IM) e acidentes vasculares cerebrais (“derrames”).

À esquerda:retina normal | À direita: retinopatia diabética não-proliferativa.


Sobre as complicações acima, vale ressaltar que a retinopatia do diabetes é considerada a principal causa de cegueira no mundo. A DRD é o principal fator de risco para a falência renal e requer a realização obrigatória de diálise ou transplante.


Máquina utilizada para realização de hemodiálise

A neuropatia do diabetes e a doença arterial periférica são considerados fatores de risco para a ocorrência de gangrenas e amputações dos membros.

Neste contexto, estima-se que nos Estados Unidos são realizadas mais de 60 mil amputações/ano devido às complicações do DM. Veja na foto abaixo problemas causados pela neuropatia diabética e pela doença vascular periférica que são considerados fatores de risco para amputação.


Mau perfurante plantar e úlcera na porção lateral da perna


Além disso, o risco para infarto do miocárdio e “derrames” é 2 a 3 vezes maior entre os portadores de DM.

O tratamento do diabetes deve ser individualizado e varia de acordo com o seu tipo. Em linhas gerais, todos os pacientes deverão adotar um estilo de vida saudável, que inclui um plano alimentar individualizado, a prática regular de exercícios físicos e o abandono do tabagismo.



Quanto aos medicamentos, gestantes que não alcançarem bom controle glicêmico com tratamento dietético e portadores de diabetes tipo 1 devem fazer uso de insulina. Já os pacientes com diabetes tipo 2 podem receber, além da insulina, uma ampla gama de medicamentos (injetáveis ou não).

A educação em diabetes é fundamental para o sucesso do tratamento e inclui, além das recomendações sobre um estilo de vida saudável, orientações sobre a monitorização dos níveis de glicose, de como evitar hipoglicemias e como proceder nesses casos, de como usar os medicamentos (principalmente os injetáveis), além de recomendações sobre como cuidar dos pés e da higiene bucal, dentre outras.

O diabetes e o seu tratamento também se associam a complicações agudas, ou seja, que necessitam de atendimento médico com urgência. Essas complicações são a cetoacidose diabética (CAD), o estado hiperosmolar (EH) e as hipoglicemias.

A CAD e o EH são complicações que requerem tratamento hospitalar intensivo.

As hipoglicemias não são causadas pela doença propriamente dita, mas pelo tratamento do diabetes em pacientes que utilizam insulina exógena e medicamentos que estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas, como as sulfonilureias (glibenclamida, glimepirida, gliclazida e glipizida) e as metiglinidas (repaglinida e nateglinida).

Hipoglicemia é definida pela glicose sanguínea < 70 mg/dL. Os principais sintomas são: tremores, sudorese, aumento da fome, palpitações, aumento da pressão arterial e dores de cabeça. Em casos graves, o paciente fica inconsciente (desacordado) e necessita de outra pessoa para a reversão do problema. Nesses casos, pode haver arritmias cardíacas, confusão mental, distúrbios do comportamento, crises convulsivas, coma e morte.


Por: Dr. Cristiano Barcellos