A prevalência de sobrepeso e obesidade tem aumentado nas últimas décadas e estima-se que 2 bilhões de adultos estão acima do peso ao redor do mundo. No Brasil não é diferente: dados recentes publicados pela VIGITEL apontam que mais da metade dos brasileiros apresentam excesso de peso.
O grande problema é que o excesso de peso tende a causar outras doenças. De acordo com dados da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a obesidade é considerada fator de risco para 229 doenças, dentre as quais merecem destaque:
Além disso, as pessoas obesas também convivem com problemas de ordem social e econômica, tais como: discriminação e preconceito, bullying, menores salários e ofertas de empregos, dentre outros.
A definição de obesidade mais utilizada se baseia no índice de massa corpórea (IMC), que é calculado através da seguinte fórmula:
IMC = peso / altura2 (kg/m2).
Veja a tabela 1.
Tabela 1. Classificação do peso pelo IMC de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS):
| Resultado em kg/m2 | Situação |
|---|---|
| Abaixo de 18,5 | Abaixo do peso |
| Entre 18,5 e 24,9 | Peso normal |
| Entre 25 e 29,9 | Acima do peso |
| Entre 30 e 34,9 | Obesidade I |
| Entre 35 e 39,9 | Obesidade II |
| Acima de 40 | Obesidade III (mórbida) |
Entretanto, o IMC retrata o excesso de peso global, mas não define exatamente se o conteúdo é de gordura ou de massa magra. Além disso, o IMC não permite a detecção do local onde o excesso de gordura está depositado.
Sabe-se que a gordura localizada na região abdominal e a gordura infiltrada em algumas vísceras (fígado, pâncreas, rins, coração) e músculos aumentam o risco para diabetes tipo 2, hipertensão arterial, distúrbios do colesterol, infarto do miocárdio e “derrames”. Por esse motivo, é importante que a avaliação seja feita também através da medida da circunferência abdominal (medida da cintura).
De acordo com a International Diabetes Federation (IDF), a circunferência abdominal não deve exceder 80 cm em mulheres e 94 cm em homens (tabela 2). Recentemente, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) passou a recomendar o cálculo da relação cintura (cm)/altura (cm), a qual deve ser < 0,5 (tabela 2).
Tabela 2. Circunferência abdominal de acordo com a IDF e ABESO
| NCEP ATP III 2001 |
IDF 2005 |
|
|---|---|---|
| Homens | < 102 cm | < 94 cm* |
| Mulheres | < 88 cm | < 80 cm |
| NCEP ATP III: National Cholesterol Education Program Adult Treatment Panel III IDF: International Diabetes Federation * para homens asiáticos < 90 cm |
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Por se tratar de uma doença crônica, o tratamento da obesidade deve abranger tanto a perda quanto a manutenção do peso.
Todos os pacientes devem ser orientados quanto às mudanças do estilo de vida (reeducação alimentar e prática regular de exercícios físicos), sendo que, em alguns casos, a terapia psicológica pode ser necessária.
O uso de medicamentos está indicado quando as mudanças do estilo de vida não tenham surtido efeito. Já a cirurgia bariátrica deve der recomendada nos casos de obesidade grave (ou mórbida) ou em pessoas com IMC ≥ 35 kg/m2 associado a doenças ligadas à obesidade.
Por: Dr. Cristiano Barcellos
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